Urna Eletrônica 2022

FIT / TSE

Produto Otimização Estrutural Embalagem

Adoção do voto impresso e envelhecimento do projeto em uso desde a década de 80, cria desafio técnico e de design para atender à legislação e um processo de votação fluido

Em 2015 foi aprovada pelo Congresso a lei do voto impresso.  A ideia tem como objetivo a adoção do voto impresso simultaneamente ao digital, como forma de comprovação do voto realizado e garantia de possível sistema de auditoria, preservando ainda assim a velocidade de contagem dinâmica dos votos em curso, característica já marcante das eleições brasileiras.

Impressora de relatório + Terminal do Eleitor + Impressora de voto do novo conceito de urna eletrônica

O projeto é de extrema complexidade e envolveu equipes de diversas áreas, como tecnologia, segurança, gestão de custos, investimento e logística. Considerando a adoção da impressão do voto e a conferência por cada eleitor, outro fator também chama a atenção: o design de interface precisa ter ergonomia que permita a melhor clareza e velocidade para escolha e confirmação do voto, evitando aumento de tempo gasto e formação de longas filas nas seções de votação.

A metodologia de projeto passou pelo entendimento do sistema de votação, com visitas ao TSE e imersão no processo junto aos técnicos.

Uma eleição no Brasil envolve uma operação logística muito ampla, com questões de segurança nacional, uso de contingentes militares, acesso à áreas remotas ou violentas. O Brasil é um pais de dimensões continentais e o sistema de eleição com uso de urnas eleitorais, torna a operação um grande movimento de equipes técnicas e materiais.

O desafio não se limita a levar urnas a todos os pontos e carregar regionalmente a memória das mesmas com candidatos locais, mas também apurar os resultados, armazenar durante e fora dos período eleitoral, fazer manutenção, carregar baterias.

O design assumiu objetivos de solução em diversas pontos do sistema, como redução do tempo de manuseio de cada urna, melhoria da garantia do sigilo e precisão do voto, além de redução do custo de transporte e armazenamento. Todas estas evoluções tendem a gerar um impacto positivo no sistema eleitoral brasileiro.

Ciclo logístico da maior parte das urnas eletrônicas

O fluxo dentro da seção de votação é algo bem conhecido, e dentro do processo de trabalho foram feitas algumas simulações com objetivo de validar oportunidades de melhorá-lo, já considerando que o voto impresso iria aumentar o tempo de votação de cada eleitor. O trabalho dos mesários e responsáveis pela seção também foi aliviado por soluções de ergonomia e otimização operacional.

Fluxo levantado dentro da seção - cada item foi considerado uma oportunidade de design

Um dos pontos de foco foi a ergonomia do painel frontal de operação do terminal do eleitor. A fluxo original proposto pelo TSE levava a votação na qual a atenção do usuário ficava indo da esquerda para a direita e vice-versa, gerando perda de concentração, possibilidade de falhas e consequente demora (figura da esquerda). A mudança de layout proposta pela figura da direita reduz a amplitude horizontal da atenção e permite o alinhamento direto das informações impressas com as informações da tela, seguindo o sentido de leitura ocidental da esquerda para a direita.

Análise de amplitude e sentido de leitura de informações no painel de controle da urna

CONCEITOS GERADOS
Na geração de conceitos, o design propôs 3 rotas diferentes:
Uma alternativa mais conservadora, seguindo o conceito imaginado pelo TSE, onde a urna é um corpo único, mas que passaria a estar composto por um Terminal do eleitor, uma bateria e uma Impressora de votos. Este corpo estaria acoplado a um RVI, que armazena os votos impressos.

Conceito 1

O segundo conceito apresentado era mais disruptivo, baseado em leveza visual e propunha uma forma de compactação logística na qual a bateria e a impressora de votos seriam removíveis. A bateria faria o apoio traseiro do terminal do eleitor.

O terceiro conceito trouxe a idéia de modularidade maior, permitindo que tanto o terminal do eleitor quanto o terminal do mesário, pudessem ter seus módulos intercambiados com a impressora de relatórios, e a impressora de votos pudesse ser facilmente substituída em caso de problema mecânico.

O SISTEMA RVI - RESERVATÓRIO DE VOTOS IMPRESSOS
O RVI é compactável, e permite reduzir em 75% o seu volume para armazenamento. Sua concepção representa um ponto chave de desafio técnico mecânico deste projeto, já que a criação do seu sistema de acoplamento na impressora, precisa garantir exclusivamente a entrada dos votos impressos no módulo RVI ao mesmo tempo que precisa inviabilizar qualquer tentativa de desacoplamento para acesso ao interior do RVI, fechando imediatamente a porta de entrada, até que seu lacre seja quebrado.

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Estudos de localização do RVI em relação ao Terminal do Eleitor

SISTEMA DE EMBALAGEM
As urnas possuem um sistema de embalagem que garante o seu armazenamento e transporte por períodos e distâncias longas.
O desenvolvimento do layout estrutural quanto de embalagem resultou num ganho logístico de 20% em termos de volume tridimensional. Aproveitando os cantos da embalagem, também criamos um sistema de pés retráteis para transformar a caixa da urna em uma mesa de votação, considerando locais isolados onde não houvesse disponibilidade da mesa.